Partidos políticos no Brasil
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Os
partidos políticos no Brasil existem desde a primeira metade do
século XIX.
Mais de 200 agrupamentos surgiram nesse período, porém nenhum deles
durou muito. Não existem partidos centenários no Brasil, como é comum,
por exemplo, nos
Estados Unidos, onde os partidos Democrata (desde
1790) e Republicano (desde
1837) alternam-se no poder.
Frequentemente, os partidos brasileiros foram forçados a ter de
começar, praticamente do zero, uma nova trajetória: tais rompimentos
ocorreram implantação da República, em 1889, que sepultou os partidos
monarquistas; pela
Revolução de 1930, que desativou os partidos republicanos “carcomidos”; pelo
Estado Novo (1937-1945), o qual vedou a existência de partidos; e pelo
Regime Militar de 1964, que confinou
manu militari os partidos políticos a um artificial
bipartidarismo.
Alguns autores, como
José Honório Rodrigues, consideram que o Brasil sempre foi dominado por um só partido – o das classes proprietárias ou
"o Partido do Patriciado";
o único partido realmente governante da história nacional. Seus
partidários, no poder desde os tempos coloniais, quando monopolizaram o
acesso às terras, à mão-de-obra e aos principais cargos públicos,
adaptam-se aos tempos, assumindo a forma e a feição necessária mais
conveniente ao momento. Ora conservadoras, ora modernizadoras, ora
reacionárias, ora progressistas, é sempre a mesma casta e seus
descendentes, que prefere a conciliação ao conflito, que conduz as
coisas maiores no
Brasil.
[1]
Para
Rodrigues, nem na
Independência
deu-se o rompimento com a oligarquia que governava o País, tendo
mantido-se sempre uma continuidade histórica entre as diversas sucessões
de regimes políticos. Reconhecendo a existência de duas correntes de
opinião,
“a tradicionalista e conservadora”, defensora do
status quo, e a outra, a
“mameluca” , mais popular e radical, ele reconhece a vitória histórica da primeira.
[1] [2]
Um caso que bem ilustra e corrobora essa tese é o de
Afonso Arinos de Melo Franco, que participou da redação da
Constituição Federal de 1967. Seu avô, o
Conselheiro Cesário Alvim, foi um homem do Império e participou da redação da
Constituição republicana de 1891.
Afrânio de Melo Franco (cuja esposa era da família do ex-Presidente
Rodrigues Alves), seu pai, atuou na
Constituição de 1934, e ele, por sua vez, participou da redação da
Constituição de 1967.
Gustavo Franco, seu sobrinho, foi presidente do
Banco Central, entre 1997-1999.
Império do Brasil
Até
1837, não se pode falar, a rigor, em partidos políticos no Brasil. Nesse ano, formaram-se as duas agremiações que caracterizaram o
Segundo Reinado, a dos Conservadores, chamado
Partido Conservador (
saquaremas) e a dos Liberais, chamado
Partido Liberal (
luzias).
Os conservadores defendiam um regime forte, com autoridade concentrada no Trono e pouca liberdade concedida às
Províncias.
Os liberais inclinavam-se pelo fortalecimento do Parlamento e por uma
maior autonomia provincial. Ambos eram pela manutenção do
regime escravista, mas os liberais aceitavam a sua supressão, conduzida por um processo lento e gradual que conduziria, enfim, à
abolição da escravatura.
Naquela época, poucos votavam, pois o voto era hierárquico, baseado em no
sufrágio censitário, por meio do Decreto nº 3.029, de 9 de janeiro de 1881
[3] (
"Lei Saraiva").
As eleições eram realizadas em dois turnos, a saber: as assembleias
paroquiais escolhiam os eleitores das Províncias, e estes, por seu
turno, escolhiam os representantes da Nação e das Províncias. Tanto
conservadores como liberais pertenciam a mesma classe social, a dos
proprietários de terras, de bens e de escravos. Dentre os liberais,
havia mais comerciantes, jornalistas e populações urbanas em geral.
A república implantada a partir da
Proclamação da República,
em 15 de novembro de 1889, foi um golpe militar, obra de generais, e
contou com escassa presença de republicanos autênticos. No âmbito
regional, mesmo assim surgiram partidos como o
Partido Republicano Paulista e o
Partido Republicano Mineiro que foram importantes na aplicação da chamada "
Política dos Governadores",
iniciada em 1894. A maior parte dos Partidos Republicanos dirigiu os
governos estaduais no período 1889-1930. Vale mencionar ainda o Partido
Libertador (1928) de Assis Brasil, no RS, ou o Partido Democrático,
formado em 1926 por Antonio Prado, em SP. A "Política dos Governadores"
acabou por desestimular a formação de agremiações nacionais (os Partidos
Republicanos Federais/ Liberais e Conservadores pretendiam agregar
forças políticas no país inteiro, mas não foram adiante). Os partidos
oposicionistas estaduais tiveram pouco sucesso no período.
Apesar de haver a Lei nº 1.269 de 1904 que admitia a "representação
das minorias" apenas com a Reforma constitucional de 1926 é que
tornou-se obrigatória. Outra lei, a de nº 3.139 de 1916 atribuía às
autoridades judiciarias a qualificação para as eleições federais mas,
apesar disso, as chamadas "mesas eleitorais" é que eram as responsáveis
pelas triagens de votos e "primeira fonte de fraudes eleitorais do
período"
[4] .
Esses partidos regionais favoreceram a adoção do
coronelismo
e de suas conhecidas práticas: democracia e eleições "de fachada", com
seus resultados sempre manipulados pelo coronel local, pelo
cabo-eleitoral e pelo
curral eleitoral, com a função básica de garantir resultados satisfatórios ao grupo governante.
Essas práticas, que feriam o principio básico do sistema republicano,
geraram a violência política que eclodiu em vários movimentos, tais
quais: o
Tenentista (1922-27); a
Revolução de 1923, no Rio Grande do Sul; e a Revolta de
Princesa, na
Paraíba (
1928).
Partidos ideológicos
Ambos os partidos tentaram depor o regime de
Getúlio Vargas, por meio de um golpe. O PCB foi o principal articulador da frente que se escudou na
Aliança Nacional Libertadora (ANL) e foi responsável pela fracassada
Intentona Comunista
(por se considerar um movimento revolucionário, é correto substituir-se
por "Levante Comunista"), de 27 de novembro de 1935, enquanto a
AIB tentou assaltar o
Palácio da Guanabara, em 12 de maio de 1938, para derrubar o governo do
Estado Novo que os excluíra do poder.
No período pós Revolução de 1930, até o advento do Estado Novo,
manteve-se o sistema de partidos estaduais, com alguma maior
fragmentação e representatividade dos partidos oposicionistas, todos de
caráter estadual. Apareceram a Liga Eleitoral Católica (LEC), em dezenas
de estados, sem organicidade nacional, porém, e partidos ligados à nova
ordem disputando espaço com as antigas legendas oligárquicas.
Partidos da república redemocratizada: 1945-1965
O PSD abrigava as correntes mais conservadoras do
getulismo, formada por proprietários rurais e altos funcionários estatais, enquanto que o
PTB, inspirado no
Partido Trabalhista do Reino Unido, reunia as lideranças sindicais e os operários fabris em geral. O partido rival, a
UDN, de cunhos
liberal
e antipopulista, congregava a alta burguesia e a classe média urbana,
defensora do capital estrangeiro e da iniciativa privada. Coube, então, à
UDN
o papel de ser a principal promotora das impugnações das vitórias
eleitorais da coligação PSD-PTB (1950-1955), bem como a maior
instigadora das tentativas de golpes contra Getúlio, Juscelino e Jânio,
que se sucederam, até a vitória do
golpe militar de 1964.
Carlos Lacerda, um jornalista e dono de jornal opositor do trabalhismo de longa data, foi o mais destacado porta-voz do antigetulismo.
O PCB teve breve duração legal, entre 1945 e 1947, e continuou a
existir, na ilegalidade, e outros partidos tiveram razoável
representatividade, como o PSP ademarista, ou o PDC. Os integralistas se
reorganizaram, e seus ex-integrantes reagruparam-se, sob o nome de
Partido de Representação Popular (PRP), ainda liderado por Plinio Salgado.
A partir de 1965, somente era permitida a existência de duas
associações políticas nacionais, e nenhuma delas podia usar a palavra
“partido
”. Criou-se então a
Aliança Renovadora Nacional
(ARENA), base de sustentação civil do regime militar, formada
majoritariamente pela UDN e alguns egressos mais conservadores do
PSD, e o
Movimento Democrático Brasileiro
(MDB), que tinha a função de fazer uma oposição "bem-comportada" - que
fosse tolerável ao regime, porém abrigando os militantes do
PCB,
que estava na ilegalidade, assim colaborando para a encenação da
existência de uma "democracia" no Brasil e se recusando a recorrer à
luta armada, como fizeram as organizações de esquerda clandestinas.
O regime militar permitia o sistema de cassações de mandatos, que
usava amiúde para se descartar dos seus adversários (4.682 perderam seus
direitos políticos). Juntaram-se na ARENA todas as lideranças
direitistas, conservadoras, ex-udenistas, e até alguns fascistas;
enquanto os politicamente mais ao centro, os escassos trabalhistas
sobreviventes dos expurgos do regime, e todos aqueles que não foram
convidados para entrar na
ARENA se inscreveram, misturados, no
MDB. Esse congelamento da situação partidária no Brasil,
manu militari, prolongou-se por quase 20 anos.
Retorno ao pluripartidarismo
Em 1980, voltou a existir o
pluripartidarismo
sendo inicialmente criados cico partidos políticos, e o país tem
dezenas de partido atuantes, sendo que atualmente há mais de 30 partidos
políticos registrados no
Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
[5] .
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